Manifesto contra a demolição de obra modernista de Delfim Amorim

NOTA PÚBLICA
Mais um para o obituário arquitetônico: manifesto contra a demolição de obra modernista de Delfim Amorim
O Instituto dos Arquitetos do Brasil – Departamento Pernambuco (IAB-PE), por meio da sua Comissão de Patrimônio Cultural; o Departamento de Arquitetura e Urbanismo da UFPE; o curso de Arquitetura e Urbanismo da UNICAP; o Instituto Arqueológico Histórico e Geográfico Pernambucano; o Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Urbano da UFPE; o Núcleo Pernambuco do ICOMOS Brasil; o Núcleo Pernambuco e Direção Nacional do DOCOMOMO- Brasil e o Núcleo Pernambuco e Direção Nacional da Associação Brasileira de Arquitetos Paisagistas vêm, em nota pública, demonstrar profunda indignação diante da recente constatação de demolição de um bem cultural, representativo do acervo da arquitetura moderna no Recife, que por muitos anos serviu como sede da Agência Estadual de Meio Ambiente, antiga Companhia Pernambucana de Recursos Hídricos (CPRH), na Rua de Santana, bairro de Casa Forte.
Concebido como residência particular, pertencente ao industrial pernambucano Miguel Vita, o imóvel reunia significativos atributos dos traços modernistas, com estruturas em balanços e coberta em empenas do tipo asas de borboleta. Projetado pelo arquiteto Delfim Amorim, que também nos brindou com obras arquitetônicas consideradas ícones de nossa memória arquitetônica, reunia elementos em muito exaltados pelos profissionais da área, pelos admiradores da nossa cultura local e pela sociedade, em geral.
Em sintonia com os princípios da salvaguarda cultural, as instituições que subscrevem essa nota reforçam a compreensão da preservação em seu sentido amplo e dinâmico, ultrapassando os limites do que configurou o patrimônio de pedra e cal para os exemplares da Arquitetura Moderna, cujas obras de Oscar Niemeyer e Lúcio Costa, em caráter nacional, e Acácio Gil Borsoi e Delfim Amorim, em significância regional, são expoentes. Conformam a expressão de um período relevante da história da arte e da arquitetura, insubstituíveis em seu suporte material e nos valores simbólicos a eles associados. A difícil missão da preservação exige uma prática institucional sensível a tais remanescentes, entendendo que o dever da preservação deve ocorrer para além das listas constantes nos instrumentos normativos em vigor, que em muito não acompanham as demandas efervescentes da sociedade atual.
As severas perdas não afetam apenas grupos específicos ou relações de vizinhança, pois significam o apagamento da memória histórico-cultural e também de parte da paisagem da cidade do Recife e do estado de Pernambuco. Nesse caso específico, o bem cultural havia sido previamente valorado por pesquisas acadêmicas, mas isso não se traduziu em seu reconhecimento institucional. Isso nos leva a conclamar que sejam feitas mudanças urgentes
nas formas de gerir o patrimônio cultural de nossa cidade e do nosso estado, prevenindo a ocorrência de novas perdas do nosso rico acervo arquitetônico e urbanístico, especialmente o patrimônio moderno.
Ademais, questionamos fortemente a legitimidade de uma a ação de demolição que ocorre em tempo recorde, em um final de semana, sem placa de obra e sabendo-se que o imóvel em questão havia sido indicado por professores da UFPE, especialistas em arquitetura moderna, para classificação como Imóvel Especial de Preservação (IEP), previsto na (Lei nº 16.176/1996). Embora não houvesse ainda uma definição, tal indicação já sinaliza que o órgão municipal de preservação tinha conhecimento do valor da edificação.
É diante desse sério cenário de ameaça, que convocamos as instituições públicas competentes a um apelo em favor da abrangência da preservação para a visão de bem cultural, o qual acumula vivências e significados sociais, que tanto refletem a trajetória da cidade do Recife e de seus cidadãos. Reforçamos a premente necessidade de atualização dos instrumentos normativos e a efetiva representatividade nas composições dos conselhos culturais e urbanísticos, para que possam lidar com os desafios constantes desse campo de atuação. Além disso, salientamos que é necessária a ampliação dos estudos para considerar novas formas de incentivos à preservação dos bens e novos usos com eles compatíveis, garantindo a manutenção de seu valor econômico sem prejuízo de seu valor cultural. Para isso, é preciso ampliar o grupo de atores participantes dessa discussão.
A Comissão de Patrimônio Cultural do IAB-PE e demais instituições que subscrevem a nota colocam-se à disposição dos órgãos de preservação do Recife e de Pernambuco para a ampliação do debate, de forma a encontrarmos soluções efetivas, considerando a dinâmica dos processos de valoração social, em favor da preservação cultural de uma memória viva, em benefício das gerações presentes e futuras, ao invés dos severos atropelamentos então evidenciados.

INSTITUTO DOS ARQUITETOS DO BRASIL – IAB/PE – COMISSÃO DE PATRIMÔNIO CULTURAL
DEPARTAMENTO DE ARQUITETURA E URBANISMO DA UFPE
CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO DA UNICAP
INSTITUTO ARQUEOLÓGICO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO PERNAMBUCANO
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM DESENVOLVIMENTO URBANO DA UFPE
NÚCLEO PERNAMBUCO DO ICOMOS BRASIL
NÚCLEO PERNAMBUCO DOCOMOMO BRASIL e DOCOMOMO BRASIL
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ARQUITETOS PAISAGISTAS (Núcleo PE e Nacional)

Arquitetura e Transculturação: conexões transatlânticas | 2020 #5

O evento Arquitetura e Transculturação: conexões transatlânticas | 2020 é uma iniciativa do LoCAU (Laboratório de Crítica em Arquitetura, Urbanismo e Urbanização)  e, nesta edição, em parceria com o Doutoramento em Arquitectura e o CITUA (Center for Innovation in Territory, Urbanism, and Architecture) do Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa (IST-UL), a fim de promover e divulgar o debate sobre a temática da transculturação em Arquitetura e Urbanismo entre Brasil, Europa e África.

Serão cinco Webinários, com palestrantes do Brasil, Europa e África

Às quintas-feiras entre 30|07 e 27|08
às 18h (Horário de Brasília)

Webinário #5
ARQUITETURA NO CONTEXTO AFRICANO: ANGOLA E CABO VERDE
27 de agosto de 2020 às 18h (Horário de Brasília)

RESPONDENDO A CONTEXTOS, CRIANDO IDENTIDADES
Helder Pereira
MDF Barch BBltEnv
Co-fundador Atelier Mulemba | Luanda | Angola

ARQUITETURA ATLÂNTICA: Identidade ou Consequência?
Beker de Sousa
Arquiteto e Urbanista pela  UFC – Brasil
Mestrado e-learning da ZIGURAT | Barcelona
Colaborador da JS-CV Construções e Investimentos em Cabo verde e Angola
Consultor da empresa CETURBE no âmbito de
Planeamento Urbano em Cabo Verde

O evento será transmitido pelo Canal do Youtube do Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo e Design da Universidade Federal do Ceará (PPGAU+D-UFC) no link: https://www.youtube.com/watch?v=qk_aZG3N4qE
A gravação do Webinário ficará disponível no Canal do Youtube do PPGAU+D.

Ao final de cada Webinário será disponibilizado um link para um formulário de avaliação do evento. Serão emitidos certificados para os palestrantes e participantes.

Arquitetura e Transculturação: conexões transatlânticas | 2020 #4

 

 

O evento Arquitetura e Transculturação: conexões transatlânticas | 2020 é uma iniciativa do LoCAU (Laboratório de Crítica em Arquitetura, Urbanismo e Urbanização)  e, nesta edição, em parceria com o Doutoramento em Arquitectura e o CITUA (Center for Innovation in Territory, Urbanism, and Architecture) do Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa (IST-UL), a fim de promover e divulgar o debate sobre a temática da transculturação em Arquitetura e Urbanismo entre Brasil, Europa e África.

 

Serão cinco webinários, com palestrantes do Brasil, Europa e África

 

Às quintas-feiras entre 30|07 e 27|08

às 18h (Horário de Brasília)

 

Webinário #4

HISTÓRIA, ARQUITETURA E ESTADO: BRASIL, ITÁLIA E PORTUGAL

20 de agosto de 2020 às 18h (Horário de Brasília)

 

 

ARQUITECTURA DAS OBRAS PÚBLICAS DO ESTADO: Relação entre Itália e Portugal

Elisa Pegorin

 

Arquiteta pelo Instituto Universitario di Architettura di Venezia

Doutora em Arquitectura pela Faculdade de Arquitectura

da Universidade do Porto – FAUP

Membro do Centro de Estudos de Arquitectura e Urbanismo CEAU – FAUP

Membro do CITUA – IST-UL

 

 

ARQUITETURA, ESTADO E OBRAS HÍDRICAS ENTRE BRASIL E PORTUGAL

Marcus Vinicius Dantas de Queiroz

Arquiteto e Urbanista pela UFPB

Mestre e Doutor pela USP, com período sanduíche na

Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa

 

Professor da UFCG

Membro dos grupos de pesquisa ESTÚDIA

Estudos Integrados em Arquitetura| (UFCG) e Patrimônio, Cidades e Territórios (IAU/USP)

 

O evento será transmitido pelo Canal do Youtube do Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo e Design da Universidade Federal do Ceará (PPGAU+D-UFC) no link: https://www.youtube.com/watch?v=mTwaBl9FfrE

 

 

Ao final de cada Webinário será disponibilizado um link para um formulário de avaliação do evento. Serão emitidos certificados para os palestrantes e participantes.

7º Seminário Docomomo São Paulo

Prezadas e Prezados colegas

O Núcleo Docomomo São Paulo e o Programa de Pós-graduação stricto sensu em Arquitetura e Urbanismo da Universidade São Judas Tadeu convidam para participar no 7º Seminário Docomomo São Paulo, evento online que acontecerá de 09 a 14 de novembro de 2020.
Em anexo encaminhamos o fôlder com as informações gerais, que também poderão ser encontradas no sítio do Núcleo Docomomo São Paulo:
Ou através do e-mail do Núcleo: nucelo.docomomo.sp@gmail.com
As informações também poderão ser acessadas pelas redes sociais:
Instagram: docomomo.sp
Facebook: Núcleo Docomomo-SP
Inscrições pelo sítio do Even3, através da página do evento:
Atenciosamente,
Comissão Organizadora
7º Seminário Docomomo São Paulo
Núcleo Docomomo São Paulo
Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo
Universidade São Judas Tadeu

Três casas de Paulo Mendes da Rocha – palestrante Hugo Segawa – via Zoom

Três casas de Paulo Mendes da Rocha

Data: 18 de junho de 2020

Hora: 6:00 pm CCS Time (GMT – 4)

Palestrante: Hugo Segawa

Moderadores: Hannia Gomez  l  Frank Alcock

Este ciclo é organizado pelo Centro Cultural e Docomomo Venezuela e terá lugar todas as quintas de 11 de junho a 2 de julho de 200, às 6:00 h CCS Time (GMT-4 )
Inscrições: https://trasnochocultural.com/

Até agora, a melhor vacina para prevenir o contágio foi criada por arquitetos: a casa
Docomomo International.

Docomomo Venezuela, tem o prazer de convidá-los para a conversa “Três casas de Paulo Mendes da Rocha” a ser proferida por Hugo Segawa no âmbito do ciclo online roxas + olhares: uma nova primavera para a casa moderna, organizada conjuntamente com o Trasnocho Cultural ..
Nestes tempos, a casa é mais do que nunca nosso mundo comprimido. A casa agora é nossa cidade. Depois de ter se tornado a principal fortaleza e refúgio para a sobrevivência do homem, os temas da casa moderna voltam, numa nova e inesperada primavera, unidos às aspirações da arquitetura contemporânea, como medicina para o corpo e para a alma. A casa moderna e suas epopeias projetuais, suas poéticas e sua resposta à higiene, ao clima, ao local, à arte, à técnica, às formas de viver, e hoje, às exigências do mundo pós-pandemia.

Hugo Segawa oferecerá suas reflexões sobre uma trilogia de casas modernas que falam com seu coração neste momento: três casas do arquiteto Paulo Mendes da Rocha (Vitória, Espírito Santo, Brasil, 1928). Primeiro, “uma grande casa dos anos 70 projetada para o dono da galeria de arte”; depois, “uma casa para um engenheiro construído no final dos anos 80 com vigas pré-moldadas de betão, dentro do típico espírito da industrialização moderna” e finalmente “uma terceira pequena casa, já demolida, para um artista plástico, também dos anos 1970”. Casas onde “chama a atenção uma certa radicalidade na compartimentação dos espaços, como uma dissolução do modo de viver nas casas chamadas ‘burguesas'”. Um novo tipo de “fortaleza”.

Hugo Segawa é arquiteto, professor da FAU USP – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, membro do Observatório da Arquitetura Contemporânea Latino-Americana. Foi Coordenador de Docomomo Brasil entre 2003 e 2008 e membro do Advisory Board da Docomomo International entre 2004 e 2008. Tem várias obras publicadas nos Estados Unidos sobre a arquitetura do Brasil e em Espanha com a editorial Gustavo Gili sobre arquitetura latino-americana.

Arquitetos Hannia Gomez e Frank Alcock são Presidente e Vice Presidente da Docomomo Venezuela, respectivamente.

A fundação Docomomo Venezuela é o grupo de trabalho oficial da Venezuela para a DOcumentação e COnservação internacional de edifícios, sites e bairros do MOvimento MOderno.

patrimônio em risco – residência Benedito Macedo – Fortaleza – CE

patrimônio moderno em risco – residência Benedito Macedo – Fortaleza – CE

/ projeto arquitetônico: Acácio Gil Borsói e Janete Costa /

projeto paisagístico: Roberto Burle Marx

NOTA DE REPÚDIO – DEMOLIÇÃO SEDE DO GRUPO J. MACEDO S/A COMÉRCIO, ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES Antiga Residência Benedito Macedo (1968) Fortaleza – Ceará I Acácio Gil Borsoi, Janete Costa e Roberto Burle Marx

NOTA DE REPÚDIO

DEMOLIÇÃO SEDE DO GRUPO J. MACEDO S/A COMÉRCIO, ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES
Antiga Residência Benedito Macedo (1968) Fortaleza – Ceará
Acácio Gil Borsoi, Janete Costa e Roberto Burle Marx

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O conjunto arquitetônico em comento é composto pela Residência Benedito Macedo e seu jardim e o edifício administrativo do grupo empresarial J. Macedo. A residência foi construída, acompanhada do seu tratamento paisagístico envoltório, no ano de 1968. Os autores do seu projeto arquitetônico e de arquitetura de interiores foram os arquitetos Acácio Gil Borsói (Rio de Janeiro/RJ, 1924 – São Paulo/SP, 2009) e Janete Costa (Garanhuns/PE, 1932 – Olinda/PE, 2008), técnicos de grande prestígio profissional radicados em Recife/PE, mas com atuação em todo o Nordeste e em alguns outros Estados brasileiros.

O projeto do jardim ficou a cargo do paisagista Roberto Burle Marx (São Paulo/SP, 1909 – Rio de Janeiro/RJ, 1994), o maior nome da arquitetura paisagística brasileira em todos os tempos. Onze anos depois, em 1979, o prédio administrativo foi levantado sob o risco de Acácio Gil Borsói e Janete Costa e com linguagem arquitetônica bastante semelhante à da residência existente. Os dois edifícios e o jardim, além de se constituírem em pontos destacados nos acervos de obras dos arquitetos, conformam um dos mais importantes conjuntos de arquitetura moderna do Ceará, do Nordeste e do Brasil, detendo valores históricos, artísticos e simbólicos tais que o promovem à condição de inequívoco patrimônio cultural edificado.

Não sendo protegido em nível cultural em qualquer âmbito (federal, estadual e/ou municipal) e tendo sido recentemente anunciada a sua venda pelo proprietário original, temeu-se pela integridade e a demolição do conjunto, a exemplo do que ocorreu com outras obras de integrantes do grupo empresarial, tais como as residências de José e Fernando Macedo, igualmente projetadas e valorizadas paisagisticamente pelos mesmos profissionais, ambas demolidas.

A ameaça de demolição, a extremada valorização imobiliária do bairro onde se situa a quadra na qual se implanta o conjunto e a elevada qualidade arquitetônica e paisagística deste, justificou a ação do Departamento do Ceará do Instituto de Arquitetos do Brasil – IAB/CE e do Núcleo DOCOMOMO Ceará, abrigado no Departamento de Arquitetura e Urbanismo e Design da Universidade do Ceará –DAUD-UFC, entre outras instituições, em apresentar solicitações de tombamento do conjunto nos níveis federal, estadual e municipal. Os pedidos foram protocolados no final do mês de abril do ano corrente e os Professores Doutores Arquitetos Romeu Duarte Junior, Ricardo Alexandre Paiva e Beatriz Helena Nogueira Diógenes foram colaboradores técnicos na construção dos Ofícios IAB-CE 39/2020, IAB-CE 40/2020 e IAB-CE 41/2020, protocolados pelo IAB-CE na SECULT, SECULTFOR e IPHAN, respectivamente.

Essas ações não foram suficientes para evitar que em 02 de junho de 2020 se iniciasse a demolição da obra, que foi noticiada pela imprensa local e permitiu que o IAB- CE, nomeadamente o seu Presidente, o Arquiteto Jefferson John Lima da Silva, agisse prontamente no acionamento da Agência de Fiscalização de Fortaleza – AGEFIS, órgão de fiscalização do Patrimônio Histórico-Cultural vinculado à Prefeitura Municipal de Fortaleza – PMF que, por seu turno, conseguiu embargar a obra em razão da ausência do necessário alvará para tal intervenção, conforme o Auto N° 088956 da PMF. De outra parte, em ofício datado de 02/06/2020 e dirigido ao Dr. Fabiano dos Santos, Secretário Estadual da Cultura e Presidente do Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural do Estado do Ceará – COEPA, a Promotora de Justiça, Dra. Maria Jacqueline Faustino de S. A. do Nascimento, Coordenadora do Centro de Apoio Operacional de Proteção à Ecologia, Meio Ambiente, Urbanismo, Paisagismo e Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural do Ministério Público do Estado do Ceará – CAOMACE/MPCE, determinou o embargo da obra com base na ação da AGEFIS/PMF e no tombamento estadual provisório do conjunto arquitetônico-paisagístico, mediado pela solicitação de proteção retrocitada, e previsto no Art. 3º, § 10, da Lei Estadual Nº 13.465/04.

Ainda que existam várias iniciativas em prol da documentação e conservação da obra, conforme várias pesquisas e escritos já realizados1, e os recentes pedidos de tombamento, a interdição do processo de demolição até o momento não assegurou a integridade do conjunto e nem diminui a gravidade da ameaça ao patrimônio moderno frente às dinâmicas imobiliárias da cidade.

Neste sentido, o Núcleo DOCOMOMO Ceará, o DAUD-UFC e o IAB-CE, reiteram a importância cultural, arquitetônica, urbana e paisagística de tombamento do Conjunto da Residência Benedito Macedo, seu jardim e o edifício administrativo, numa perspectiva de propor alternativas para o seu reuso, propondo parcerias entre os setores público e privado implicados para que estudem e decidam sobre a tomada de providências adequadas, sustentáveis e respeitosas para com o patrimônio cultural e natural conformado pelo conjunto arquitetônico-paisagístico.

Finalmente, reivindicamos e nos colocamos à disposição para buscar encaminhamentos que ratifiquem o valor cultural do conjunto e conduza a manutenção e conservação do que sobrou desse importante patrimônio moderno de Fortaleza, do Ceará, do Nordeste e do Brasil.

Subscrevemo-nos

Fortaleza, 02 de junho de 2020

Prof. Dr. Ricardo Alexandre Paiva – Núcleo DOCOMOMO Ceará – DAUD/UFC

Prof. Dr. Renan Cid varela Leite – Chefe de Departamento – DAUD/CT/UFC

Prof. Dr. Romeu Duarte Junior – Atelier de Patrimônio Cultural DAUD/UFC / Ex Presidente do IAB-CE e IAB-DN

Prof. Dra. Beatriz Helena Nogueira Diógenes – LoCAU – DAUD/UFC

Arq. Jefferson John Lima da Silva – Presidente IAB-CE

Arq. Rebeca Gaspar Maia – Secretária Geral IAB-CE

Apoiam essa iniciativa:

Profa. Dra. Clarissa Figueiredo Sampaio de Freitas – Programa de Pós Graduação em Arquitetura e Urbanismo e Design – PPGAU+D/UFC

Profa. Dra. Marcia Gadelha Cavalcante – Coordenadora do Curso de Arquitetura e Urbanismo – DAUD/UFC

Prof. Dr. Nivaldo Vieira Andrade Jr. – Presidente Nacional do Instituto dos Arquitetos do Brasil

Prof. Dr. Renato Gama-Rosa – Coordenador do DOCOMOMO Brasil

Prof. Dr. Leonardo Castriota – Presidente do ICOMOS/Brasil

Prof. Dr. Napoleão Ferreira da Silva Neto – Presidente do CAU/CE

Arq. Marco Antônio Borsoi – Borsói Arquitetos Associados/ Marco Antônio Borsói Arquitetura

Instituto Burle Marx

Instituto Sérvulo Esmeraldo

Prof. Dr. José Carlos Huapaya Espinoza – Núcleo DOCOMOMO BA_SE (Bahia e Sergipe)

Prof. Dr. Fernando Diniz – Núcleo DOCOMOMO Pernambuco

Arq. Robledo Valente Duarte – Vice-Presidente do IAB/CE

Arq. Clélia Maria Coutinho Teixeira – Representante do IAB-CE no COMPHIC

Arq. Márcia Sampaio – Representante do IAB-CE no COMPHIC até 2019

Arq. Izabela Moreira Lima – Representante do IAB/CE no COMPHIC até 2019 e Diretora de Política Profissional do IAB/CE

Arq. Alexandre José Martins Jacó – Arquiteto e Urbanista

Profa. Dra. Gérsica Vasconcelos Goes – Membro do ICOMOS Brasil

Arq. Antônio Carlos Campelo Costa – Ex Presidente do IAB/CE e IAB/DN

Profa. Dra. Clélia Lustosa – Observatório das Metrópoles – Núcleo Fortaleza

Carlos Josué – Conselheiro da AGB no COMPHIC

Profa. Dra. Alcília Albuquerque Afonso – GRUPAL – Grupo de Pesquisa Arquitetura e Lugar – UFCG

16th Docomomo International Conference adiado para 2021!

Docomomo Japão e Docomomo International juntos lamentavelmente chegaram a decisão de adiar a conferência de 2020 por um ano.

A equipe continua a monitorar cuidadosamente a situação para definir uma nova data para a conferência. Caso você já saiba que não poderá participar do evento em 2021 – apresentando um trabalho oral, pôster ou mesmo como ouvinte – por favor nos informe até o dia 31 de maio de 2020 pelo e-mail info@docomomo2020.com

já está disponível o número 4 da revista_docomomo_Brasil!

já está disponível o número 4 da revista_docomomo_Brasil!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Docomomo [v.3, n.4, 2019] [ISSN 2447-8679]

SUMÁRIO

[Editorial]
Expansão de fronteiras territoriais, temporais e temáticas da arquitetura e do urbanismo modernos no Brasil
Ana Carolina de Souza Bierrenbach, José Carlos Huapaya Espinoza, Marcio Cotrim

[Artigo]
A experiência brasileira de Albert Kahn
Manuela Catafesta
Cenário de modernidades: A Feira Internacional de Amostras do Rio de Janeiro
Hugo Segawa
Projeto Morada Nova: Uma experiência de planejamento físico e arquitetura rural nos sertões do Ceará
Clóvis Ramiro Jucá Neto, Margarida Julia Farias de Salles Andrade, Romeu Duarte Junior, Solange Maria de Oliveira Schramm
De Brasília ao Jacuí: Paralelos do urbanismo moderno no sul do Brasil
Sergio Moacir Marques
Radicalmente modernas: Arquitecturas en el laboratório del desarrollo económico y social, Arica 1960-70
Horacio Torrent
Las firmas de arquitectura en Bogotá (1920-1970). Desarrollo de modelos organizativos para la producción edificatoria
Ingrid Quintana Guerrero, Margarita Roa Rojas, Maarten Goossens
Pocitos moderno: Um catálago de edifícios residenciais em altura nos anos 50 e 60 de Pocitos em Montevidéu
Alfredo Nicolas Pelaez Iglesias, Francesco Ranieri Comerci, Santiago Gastambide, Andres Cardoso

[Projeto]
Entre o contraste e a analogia, o regional e o internacional: Diálogos entre ossatura independente e muro estrutural em intervenções sobre o construído, do Museu das Missões ao Museu do Pão
Carlos Fernando Silva Bahima, Jordana Cristine Winter
Intervir e preservar: Ampliação de edifícios modernos como experiência no ensino de projeto
Bruno Melo Braga, Emanoel Alves Cavalcanti, Gabriel Guedes Ferreira de Souza, Natalia Dias Praxedes
Paisagem do abandono: grandes edificações modernas inativas
Maria Cristina Nascentes Cabral, Carolina Quintanilha Nevez

Disponibilizados os anais do 1o, 2o e 13o seminários Docomomo Brasil

Dá licença, dá licença, meu Senhô!
Dá licença, dá licença, pra yôyô!

Docomomo Brasil tem a satisfação de comunicar que os anais do primeiro, segundo e décimo-terceiro seminários Docomomo Brasil, todos realizados na Cidade da Bahia, encontram-se na aba SEMINÁRIOS!

Para acessar os anais do 1o Seminário Docomomo Brasil, clique aqui

Para acessar os anais do 2o Seminário Docomomo Brasil, clique aqui

Para acessar os anais do 13o Seminário Docomomo Brasil, clique aqui

Nós, do Docomomo Brasil, ficamos contentes da vida em saber que Bahía é Brasil!

E delicie-se com Bahia com H (Denis Brean)

Núcleo Docomomo Pará

Em 10 de outubro de 2019, durante o 13° Seminário Docomomo Brasil, foi aprovada por unanimidade a candidatura de criação do núcleo Docomomo Pará. Em sessão pública, apresentou-se um dossiê, abaixo reproduzido, que discorre sobre o histórico e as etapas de pesquisa sobre a produção arquitetônica moderna em Belém, objeto de investigacão do Laboratório de Historiografia da Arquitetura e Cultura Arquitetônica (LAHCA), coordenado pela professora Celma Chaves desde 2009.

clique aqui para acessar o dossiê completo Docomomo_PA

8° Docomomo Norte e Nordeste – Palmas ADIADO

Campanha de apoio a vinda de Sérgio Ferro

Caras e caros camaradas,

Não sei se sabem mas nosso professor – digo assim nosso pois ele nos formou mesmo que indiretamente – Sérgio Ferro, nos idos dos anos 70 foi preso pelo regime ditatorial e teve de – naturalmente – se ausentar das aulas. Por isso foi demitido da FAU USP, mas nunca mais foi considerado como parte do corpo docente, e não foi reincorporado ou sequer reconhecido como tal. Professores outros da USP, em mesma situação tiveram resolução diferente e se reincorporaram, foram reconhecidos como violentados por uma época de atrocidades.
De modo a reconhecer seu passado como professor da FAU USP, professores, estudantes – por meio do grêmio de estudantes – e ex-estudantes estão se mobilizando para buscar uma recolocação histórica desse episódio, e estão organizando a vinda do professor Sérgio Ferro à FAU USP para avanço na resolução da questão em novembro deste ano.
Para trazê-lo temos de arcar com os custos do trajeto França – São Paulo, e, para isso, constituiu-se um movimento amplo e solidário para que se cumpra essa tarefa, de reparação, e criamos um fundo coletivo de arrecadação onde cada um contribui – ate o dia 15 de outubro – segundo suas possibilidades.
Você gostaria de se juntar a essa justa homenagem e ato de pedido de reconsideração por parte da universidade de sua condição de ex-professor doando alguma quantia para trazê-lo?
Conta Bancária para depósito:

Marilia Marcondes Tenorio – Tesoureira do GFAU – Banco do Brasil , ag. 4854-2 c/c 39.861-6 CPF 020.597.871-14
enviar comprovante para gfau.usp@gmail.com
o ato está previsto para 13 de novembro, na FAU USP

Patrimônio em risco – Hotel Internacional Reis Magos – Natal RN

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

fonte das imagens: acervo Waldecy Pinto [disponível em TRIGUEIRO, Edja; DANTAS, George; NASCIMENTO, José Clewton do; LIMA, Luiza; PEREIRA, Marizo Vitor; VELOSO, Maisa; VIEIRA, Natália Miranda. O Hotel Internacional Reis Magos e sua importância histórica, simbólica e arquitetônica. Natal, UFRN, 2014.]

O reconhecimento e a preservação do patrimônio moderno brasileiro ainda se constituem em um grande desafio cujas ações efetivas, infelizmente, ainda são inversamente proporcionais à importância deste valioso acervo para o país. Estas dificuldades parecem ser ainda maiores em algumas regiões do Brasil. O caso do Hotel Internacional Reis Magos, em Natal (RN), é um exemplo dessa problemática, pois, apesar dos esforços empreendidos visando sua preservação, o edifício continua sendo alvo de ameaças de demolição. O compromisso público de requalificar o Hotel mantendo seus valores fundamentais assumido pela Prefeitura de Natal, pactuado com dezenas de entidades e representações da sociedade civil e com o grupo proprietário e divulgado pela imprensa, em 2014, ainda aguarda o seu cumprimento.

O DOCOMOMO Brasil, como entidade seguidora da missão da Associação DOCOMOMO Internacional que luta pela salvaguarda de importantes obras do Movimento Moderno, vem, por meio desta, reiterar a relevância das dimensões histórica, cultural, urbana e arquitetônica do Hotel Internacional Reis Magos (Natal-RN). O projeto arquitetônico, concebido pelos arquitetos Waldecy Pinto, Antônio Didier e Renato Torres, e o projeto de interiores, assinado por Janete Costa, asseguram um papel de destaque no campo da arquitetura, como exemplar singular e relevante da arquitetura moderna produzida no Nordeste brasileiro tal como atestado no parecer do IPHAN nacional. Vale ressaltar que o Hotel Internacional Reis Magos se constitui também em um marco nas sociabilidades e memórias de gerações de natalenses, devendo, portanto, ser reconhecido e preservado como tal.

O DOCOMOMO Brasil destaca ainda que o reconhecimento e preservação do Hotel Internacional Reis Magos deve ser encarado dentro da perspectiva contemporânea de reintegração do mesmo à dinâmica urbana através de proposta de reuso que incorpore atividades que sejam compatíveis com sua estrutura, a exemplo de tantos casos nacionais e internacionais de reuso de estruturas de valor patrimonial moderna. Enfim, que as propostas de preservação sejam pensadas como ações de desenvolvimento urbano e social sustentável.

A coordenação do DOCOMOMO Brasil apoia os movimentos de preservação do Hotel Reis Magos, na certeza de que a gestão estadual e municipal do Rio Grande do Norte e de Natal saberão tratar esta questão com o devido respeito e reconhecimento ao patrimônio moderno brasileiro.

Coordenação Nacional DOCOMOMO Brasil.
Rio de Janeiro, 15 de agosto de 2019.

16a Conferência Internacional Docomomo Tokyo Japão – Herança Resiliente: Compartilhando Valores das Modernidades Globais

 

Docomomo Japão iniciou a organização da 16ª Conferência Internacional Docomomo em Tóquio. Entre julho e setembro de 2020, a capital japonesa sediará o 32º Jogos Olímpicos e Paralímpicos com o tema “Conectando-se ao Amanhã”. Em 1964, os Jogos Olímpicos, realizados em Tóquio, transformaram os espaços urbanos da cidade, o estilo de vida e a mentalidade dos cidadãos em todo o país. Na atualidade esse legado deve ser nos avaliado, para que se possa conceber uma metodologia para repassar criticamente uma “Sabedoria Resiliente”. Baseado neste espírito e ideias, Docomomo Japão propõe “Herança Resiliente: Compartilhando Valores das Modernidades Globais” como o tema principal da 16ª Conferência Internacional Docomomo.

Aberta a chamada de trabalhos. Veja mais informações em http://docomomo2020.com/

Lançamento da revista DOCOMOMO Brasil – números 2 e 3

A revista DOCOMOMO Brasil disponibiliza seus números 2 e 3 com uma proposta que vem sendo estruturada segundo as linhas de investigação mais caras à nossa rede de pesquisa: a reflexão sobre os arquivos e documentos da produção arquitetônica moderna e a discussão crítica sobre as ações de conservação sobre os bens existentes. Veja em:  http://revista.docomomo.org.br/

O número 2 – cuidadosamente desenhado pelas editoras convidadas Beatriz Cappello e Marta Camisassa – é resultado do 12o Seminário DOCOMOMO Brasil, realizado em novembro de 2017. O número 3 toma como eixo condutor a contribuição de figuras capitais da arquitetura do século XX no Brasil: Lina Bo Bardi, Diógenes Rebouças, Vilanova Artigas e Delfim Amorim.

Aproveitamos para dar boas vindas à Andrea Borde, que se incorporará, a partir do número 4, à Comissão Editorial da revista, substituindo Luiz Amorim, um dos editores fundadores do periódico. Realiza-se deste modo a saudável renovação dos editores responsáveis pela publicação da revista DOCOMOMO Brasil em direção à sua consolidação como periódico de referência.

Boa leitura

Comissão editorial [ 2017 | 2018 ]

Luiz Amorim (MDU-UFPE)
Marcio Cotrim (PPGAU-UFPB)
Cristiano Nascimento (FUNDAJ)

Liubliana de Plecnik

Liubliana de Plecnik

Exposição sobre a vida e obra do arquiteto esloveno Joze Plecnik.

Palestra com a Arq. MSc. Darja Kos Braga e mesa redonda com o Prof. Dr.  Hugo Segawa e a Arq. Marina Amado.

15 de março de 2019  l  10h   l  FAU/USP – Rua do Lago, 876 – piso das salas de aula

Revista de Morfologia Urbana: nova editoria / CHAMADA DE ARTIGOS

 

A Revista de Morfologia Urbana vem sendo editada desde 2013 e tem como objetivo publicar o melhor da produção sobre forma urbana e suas relações com processos históricos, sociais, ambientais, cognitivos e comportamentais, entre outras conexões, por pesquisadores atuando em países de língua portuguesa.

Em 2019, dando seguimento ao trabalho da equipe editorial liderada por Vítor de Oliveira, a editoria da Revista de Morfologia Urbana (RMU) cruza o Atlântico e passa a ser tripla: Júlio Celso Vargas, Renato T. de Saboya e Vinicius M. Netto estão assumindo a condução da Revista.

Como pesquisadores, compreendemos o potencial do periódico como veículo de divulgação de novos saberes no campo, e estamos animados com a perspectiva de contribuir com inovações e vitalidade à tradição e qualidade da Revista.

Ampliando sua atratividade e visibilidade, a Revista passa a contar com seções temáticas, para artigos que respondam a chamadas sobre tópicos específicos, juntando-se às usuais seções abertas, que seguem o sistema de fluxo contínuo da Revista.

A RMU estreia também seu novo website: http://revistademorfologiaurbana.org, que oferece acesso gratuito e aberto à edição atual e às edições anteriores, tanto na forma das edições completas quanto de artigos individuais. O novo website inclui as orientações aos autores interessados em publicar na Revista e apoiará todas as etapas do processo editorial, desde a submissão de novos artigos até sua publicação final, passando pela avaliação, revisão e diagramação.

O processo de revisão é duplamente cego e primará pela rapidez no retorno aos autores, bem como pelo cuidado na formulação dos pareceres, entendidos como peças-chave na produção e aprimoramento do conhecimento científico, bem como no diálogo entre pesquisadores.

Estamos inaugurando ainda o sistema online de submissão e avaliação cega de artigos, via Open Journal Systems (OJS), base para gerenciamento de periódicos acadêmicos revisados ​​por pares, criado pelo Public Knowledge Project. A plataforma é bastante simples e intuitiva, e será usada a partir de agora por todos os interessados em enviar seus trabalhos para a RMU.

Nosso objetivo é estender o alcance da RMU em Portugal, no Brasil e em países lusófonos no continente Africano e sul global, contribuindo para torná-la uma forte referência no debate sobre forma, dinâmica e vida urbanas.

Daremos passos também no sentido de estimular a ascensão da RMU na classificação QUALIS empregada no Brasil, buscando alinhamento com os critérios de qualidade de serviços de indexação como Scielo e Web of Science (WoS), com a publicação exclusiva de conteúdos originais em português, revisão rigorosa, corpo editorial internacional, periodicidade, frequência, número mínimo de publicações e pontualidade.

Finalmente, estamos anunciando a CHAMADA PARA A PRIMEIRA EDIÇÃO TEMÁTICA DE 2019, v.7 n.1: “Cidade: Forma urbana X Formas de apropriação”
O que a forma das cidades tem a ver com as formas de apropriação das cidades?

Convidamos os colegas a conhecerem o novo website e submeter seus artigos à RMU através do endereço http://www.revistademorfologiaurbana.org.

Renato T. de Saboya
Júlio Celso Vargas
Vinicius M. Netto

Tutto Ponti: Gio Ponti Archi-designer

 

Tutto Ponti: Gio Ponti Archi-designer

Exposição no Museu de Artes Decorativas, Paris
até 05 maio 2019

Por Angelica Ponzio, PROPAR/UFRGS

Em outubro de 2018 o Museu de Artes Decorativas de Paris inaugurou a primeira exposição retrospectiva na França de um dos mais prolíficos arquitetos e designers do século XX – o italiano Gio Ponti (1891-1979). Ocupando duas alas laterais mais a nave central do museu – em sua magnifica sede na ala Oeste do Palais du Louvre, a mostra percorre todos os aspectos do projetar Pontiano, fazendo jus a máxima propagandeada por Ernesto Nathan Rogers na década de 1950: ‘da colher à cidade.’ Com trabalhos permeando preceitos ora racionalistas, ora clássicos e/ou vernáculos, Ponti é figura polêmica e muitas vezes contraditória – seu trabalho permaneceu excluído ou pouco referenciado da maioria dos relatos significativos da arquitetura moderna no século XX, sendo retomado mais atentamente a partir da década de 1980. Ponti de fato interpreta a seu modo a modernidade ao defender uma perspectiva mais pragmática e menos esquemática da realidade do que muitos de seus contemporâneos. Em seu universo, a ‘fantasia’ é elemento fundamental e catalisador, comparecendo em todas as escalas de seu projetar. Nada mais atual e merecedor retomar a obra do mestre nos dias de hoje.

Abrangendo as muitas escalas nos campos da arquitetura, design e artes aplicadas, Ponti é protagonista no surgimento do design Italiano; fundador e editor da revista Domus e Stile, professor do Politécnico de Milão, envolveu-se também diretamente em exposições como a Trienal de Milão. Os visitantes são inicialmente apresentados ao universo de Ponti através de uma reprodução da fachada da catedral de Taranto – no alto da escadaria de acesso um plano perfurado de tripla altura insinua o que está por vir. Mais de 400 peças – muitas inéditas ao público e pertencentes a coleções privadas, estão organizadas em três sessões distintas. Na nave central, um percurso cronológico leva o visitante a percorrer das décadas de 1920 a 1970 a evolução do trabalho do arquiteto/designer. Ancorado nos projetos arquitetônicos marcantes de cada período e aproveitando o pé direto, esta seção inclui cenários dispostos em pedestais com mobiliário, objetos decorativos, pôsteres, projeções de fotografias e luminárias suspensas. Nesta secção encontram-se ainda desenhos e maquetes originais pertencentes aos arquivos do CSAC da Universidade de Parma, combinadas a fotografias do arquivo Ponti. Ao longo de uma das paredes laterais, reproduções das capas da revista Domus remontam parte de sua produção editorial. Esta ala ainda inclui a projeção de filmagens de entrevistas históricas com a família e o próprio arquiteto. Já a ala vizinha ao jardim das Tulherias abarca a obra de Ponti designer: objetos decorativos, cerâmicas, louças e talheres, maçanetas, tecidos e vestimentas para teatro, além de suas famosas cartas se apresentam em um percurso todo revestido de preto entremeado por vitrines iluminadas e pensamentos do mestre. Na ala faceando a Rue de Rivoli uma visão do projetar integral de Ponti é apresentada: seis ambientes de cada um dos projetos mais representativos de cada década estão dispostos como cenários prontos a serem habitados. Iniciando pelo estar da casa L’ange Volant, passando pela sede do edifício da Montecatini – projetado a partir de um modulo de escrivania; os visitantes são ainda conduzidos aos interiores do Palazzo Bo na Universidade de Padova, aos azuis do Hotel Parco dei Principi em Sorrento– que até hoje recebe hóspedes, e ao apartamento da família Ponti na Via Dezza em Milão, com sua característica ‘janela mobiliada’. Por fim, o percurso termina na magnifica casa-museu Villa Planchart, com mobiliário e louça original trazidos especialmente pela Fundação Planchart em Caracas.

Por ocasião da inauguração realizou-se ainda, no dia anterior à abertura, uma recepção na casa que foi o primeiro projeto de Ponti no exterior – L’Ange Volant em Garches, nos arredores de Paris. De inspiração neoclássica e conservada cuidadosamente por seus proprietários, esta reúne alguns dos princípios de Ponti destinados à reformulação da filosofia do “habitar moderno,” representado na forte referência à vida e cultura italianas através do grande espaço central de dupla altura para a reunião familiar.

 

Ponti e o Brasil

No Brasil, Ponti é frequentemente referenciado através de sua ligação com Lina Bo Bardi, sua colaboradora em Milão antes de vir para o país em 1946, com seu esposo, Pietro Maria Bardi – velho amigo do mestre. Recentemente, um pequeno recorte da produção de Ponti foi apresentado na exposição internacional itinerante ‘Vivere alla Ponti.’ Promovida pela indústria de moveis italiana Molteni, a mostra foi apresentada em São Paulo no Museu da Casa Brasileira em parceria com o Instituto italiano de Cultura em 2018. No entanto, ainda é pouco divulgada a presença do arquiteto em terras brasileiras. Convidado a ministrar a disciplina de Composição decorativa, na então recente faculdade de Arquitetura da USP em 1952, Ponti visitou o Brasil por duas vezes naquele ano, terminando por desenvolver em 1953, três projetos não realizados, todos em São Paulo: uma casa para o Dr. Taglianetti, o projeto inicial para o Instituto de Física Nuclear da USP e ainda sua participação na concorrência do Prédio Itália. Segundo o próprio arquiteto, estes projetos foram fundamentais no desenvolvimento de alguns de seus princípios compositivos. Este e outros relatos estão presentes no livro/catálogo comemorativo da exposição. Com o titulo de Gio Ponti, Archi-designer, a publicação de 320 páginas, com edições em francês e inglês, conta com participações de cerca de 30 autores estrangeiros, incluindo o episódio brasileiro.

Informações
Inauguração: 19 de Outubro 2018; sucesso de público, a exposição teve seu prazo estendido para o dia 05 de maio de 2019.

Musée des Arts Décoratifs
107-111, Rue de Rivoli ; Paris, Ile de France 75001 França
Phone: +33 (0)1 44 55 57 50
Horários: Terças a Domingos de 11 a.m. a 6 p.m; Aberto até as 9 p.m. nas quintas.

Exposição
Olivier Gabet, Diretor do Museu de Artes Decorativas, Paris
Curadores: Sophie Bouilhet-Dumas, Salvatore Licitra, Dominique Forest
Assistente de curadoria: Chiara Spangaro
Cenografia: Wilmotte & Associès
Design Grafico: Italo Lupi, BETC

Livro
Editores: Sophie Bouilhet-Dumas, Dominique Forest, Salvatore Licitra
Edição Francesa: MAD, Paris, 2018; ISBN 978-2-916914-75-6
Edição Inglesa: Silvana Editoriale, Cinisello Balsamo, 2018; ISBN 978-88-366-4125-3

Profa. Dra. Angelica Ponzio
Profa. Adjunta da Faculdade de Arquitetura da UFRGS, pesquisadora e colaboradora do PROPAR/UFRGS, possui Tese de Doutoramento defendida em 2013 no PROPAR com período sanduiche no Politecnico de Milão, versando sobre a arquitetura e interiores de Gio Ponti. Autora convidada a participar na publicação/catalogo comemorativo da exposição, a Profa. Angelica contribuiu com o capitulo: Gio Ponti au Brèsil / Ponti in Brazil.

Imagens: capa catalogo, versão francesa, foto: MAD, Paris / cartaz da exposição: Graphic design: BETC and Italo Lupi; Photo credits: © Gio Ponti Archives; Editoriale Domus S.p.A., all rights reserved; Paris, MAD, photo Jean Tholance; Francesco Radino; Courtesy Wright Auctions; Associazione Amici di Doccia / Arrigo Coppitz; Vincent Thibert

Fonte das imagens: Gio Ponti exhibition’s press kit published by the Musée des Arts Décoratifs, Paris.