14º Seminário Docomomo Brasil – Belém

MILTON MONTE: um vocabulário arquitetônico moldado pela produção vernacular amazônicaMILTON MONTE: um vocabulário arquitetônico moldado pela produção vernacular amazônica

TEMA:

O MODERNO EM MOVIMENTO: USOS, REUSOS, NOVAS CARTOGRAFIAS.

Presente e futuro do legado da arquitetura moderna no Brasil

⠀⠀⠀As transformações pelas quais passam o planeta atualmente, envolvendo todo o globo e todas suas manifestações de vida e seus hábitats, entre eles, as construções realizadas para as mais diversas atividades humanas, nos colocam dilemas e indagações. Diante de uma pandemia global, é natural que nós, arquitetas e arquitetos, e os demais atores ligados à produção dos espaços, nos perguntemos: qual será o futuro da arquitetura e da cidade? O que teremos que mudar para nos adequarmos à necessidade de novos padrões de concepção e execução de obras de arquitetura, de espaços públicos, e de intervenções, entre elas, nas obras da arquitetura moderna?

⠀⠀⠀⠀Ao considerar a arquitetura como uma ação em que se integram diferentes níveis de atuação do homem no mundo, é imperioso que esses níveis se abram às perspectivas que, na atualidade, impactam as condições de vida dos homens como seres habitantes do planeta. Nessa direção, faz-se necessário recuperar as digressões pertinentes dos diversos divulgadores, promotores e pensadores do movimento moderno.

⠀⠀⠀Os princípios formulados pelos arquitetos que compunham o movimento moderno, ressoam, por um lado, com as necessidades de retorno a uma cidade saudável, ainda que com uma ruptura radical com o lugar. Por outro lado, é fundamental analisar as casas modernas se queremos entender a arquitetura da modernidade. Tanto a casa como a cidade no movimento moderno operaram com um sentido além de suas “funções”: era preciso ser refúgio, mas também ponto de partida para as ações do homem no mundo. Habitar, mas também como diria Le Corbusier quando mencionava a instituição pública, era não apenas uma função privada, mas um prolongamento da casa, pois o homem não habita apenas sua própria casa, mas também habita quando participa em uma comunidade e a instituição torna possível essa participação.

⠀⠀⠀Em que pese as críticas de que o movimento moderno repudiava a natureza, a história e a cidade em prol da máquina, é visível o pensamento integrador entre arquitetura e natureza em obras como a Falling Water de Frank Lloyd Wright, ou a Villa Mairea de Alvar Aalto, ou as torres de Rogelio Salmona em Bogotá. Mas não apenas nos edifícios estão essas ligações, Brasília é um exemplo da interação arquitetura-cidade e natureza. 

⠀⠀⠀No atual contexto de revisão de paradigmas e reconhecimento de alternativas filosóficas e construtivas em prol de uma arquitetura humanizada, a abordagem do edifício em conciliação com seu entorno faz-se primordial, especialmente na relação com a paisagem, em que incidem elementos naturais, componentes sociais e culturais. Nessa perspectiva, tipologias diversas que compõem os conjuntos de edifícios do movimento moderno, como os hospitais, oferecem um desafio maior para sua compreensão enquanto fator de modernização na assistência à saúde, em face das constantes reformas por que passam suas instalações, sendo colocados em cheque aspectos como salubridade, sustentabilidade de gestão e reconhecimento de detalhes técnicos que possam lhes conferir identidade. 

⠀⠀⠀O projeto cultural e também social, foram fundamentos do movimento moderno como bem nos apontou Anatole Kopp, a causa moderna estava além da estilística ou da forma às quais o moderno passou a ser identificado ao longo do tempo. As mudanças sociais, culturais e políticas pelas quais os países estavam passando nas primeiras décadas do século XX instaram os arquitetos a realizarem novas propostas de espaços de morar, de trabalhar, de atividades de ócio, espaços de saúde etc. Nesse sentido, é evidente a importância dos aspectos relacionados não somente à natureza como ambiente físico, mas também à perspectiva em agregar a essa natureza os valores imprescindíveis para uma melhor vida humana nos espaços inventados pelo homem, que na história recente da humanidade se perderam por ações nocivas às variadas biodiversidades inerentes aos meios físicos. 

Passados mais de um século da irrupção das ideias modernas, e dadas as notáveis transformações que o planeta vem atravessando nas últimas décadas, é indiscutível a importância de se retomar os princípios sobre os quais a ideia de um moderno hegemônico se desenvolveu. A noção do conhecimento do passado precisa ser repensada juntamente com uma revisão historiográfica a partir de outras visadas. Uma delas é a interpretação  do passado,  que embora como fato não possa ser modificado, a visão desse passado sim, na ampla acepção que Marc Bloch nos apresenta: um passado como estrutura em constante movimento.

⠀⠀⠀Nesse sentido, o Docomomo 2021 que será sediado em Belém do Pará, na região amazônica brasileira, território que vem sendo impactado por diversas agressões ao seu meio físico e suas populações, como os desmatamentos, os incêndios e apagões elétricos, e as respostas ineficazes ou inexistentes aos recorrentes problemas sociais como a moradia e suas infraestruturas, nos desafia a pensar respostas a um presente em que ambiente e humanidade correm sérios riscos de destruições irreversíveis. Essas questões demandam respostas urgentes para qualificar o espaço das cidades e seu ambiente construído, incluindo repúdio ao apagamento da historia e da memória local. 

Convém apontar também a diversidade da arquitetura moderna em um país continental como o Brasil, que apresenta um panorama heterogêneo e rico, porém ainda de pouca visibilidade, especialmente nas regiões onde a produção dessa arquitetura se deu por razões fora da causalidade industrialização e progressismo, mas que foi decorrência de tramas complexas que compõem a realidade local. Assim, faz-se necessário em um evento de abrangência nacional, escutar outras vozes que nos possibilitam ter um panorama mais inclusivo e rico.

⠀⠀⠀Considerar as questões aqui enunciadas significa revisitar a arquitetura do movimento moderno sob uma perspectiva que inclua os distintos olhares sobre ela e seus fundamentos. Novas possibilidades de pensar o presente e o futuro dessa arquitetura, e formular novas ideias baseadas nas experiências do movimento moderno e seu legado, requer recuperar concepções que estejam de acordo com as necessidades apresentada pela sociedade hoje. Isso nos leva a refletir acerca dos (novos) usos dos edifícios da arquitetura moderna. Observam-se constantemente intervenções que quase sempre alteram as linhas originais dessas obras, afetando seu valor patrimonial e apagando sua memória e história. É inegável a transformação do património no curso da história que se adaptem aos novos usos e expectativas sociais, porém é imprescindível a atenção aos processos que contribuem à sua valoração ou à negação de sua concepção moderna.

 

13º Seminário Docomomo Brasil – Salvador

Arquitetura Moderna Brasileira. 25 anos do Docomomo Brasil. Todos os mundos um mundo só

Os Anais do 13º Seminário Docomomo Brasil contém os 152 trabalhos completos (comunicações e pôsteres) aprovados pela Comissão Cientifica do evento; além dos 26 trabalhos elaborados por essa Comissão, somando, portanto, um total de 178 contribuições. (mais…)

12º Seminário Docomomo Brasil – Uberlândia

Conteúdo em migração. Disponível muito em breve.

PARA VISUALIZAR OS ARTIGOS, ACESSE O SITE: https://www.12docomomobrasil.com

10º Seminário Docomomo Brasil – Curitiba


A década de 1960 transborda seus limites temporais; estes anos estão mais vivos do
que nunca. Apesar das notícias em contrário, a modernidade também segue viva, se bem tenha passado, ao longo do século, de vanguarda a tradição. E se bem consideradas, muitas das práticas correntes do cenário profissional arquitetônico e urbano atual tem suas raízes e fundamentos preferencialmente no patrimônio e legado dos otimistas, progressistas e variados anos 1955-75. (mais…)

9° Seminário Docomomo Brasil – Brasília


Interdisciplinaridade e experiências em documentação e preservação do patrimônio recente:

Após quase vinte anos de atividades do DOCOMOMO Brasil, assiste-se hoje a um incremento exponencial nas pesquisas sobre o patrimônio edificado recente. Cresce o número de conjuntos urbanos e edificações do século XX reconhecidos como patrimônio cultural, multiplicam-se os acervos documentais e publicações a seu respeito, acumulam-se experiências e reflexões vinculadas à sua preservação. (mais…)

8° Seminário Docomomo Brasil – Rio de Janeiro

Cidade Moderna e Contempôranea: Síntese e Paradoxo das Artes

A realização do 8º Seminário Docomomo Nacional 2009 na cidade do Rio de Janeiro constitui uma oportunidade ímpar para a comemoração dos 50 anos do Congresso Internacional Extraordinário de Críticos de Arte (de setembro 1959), promovido por Juscelino Kubitschek e organizado por Mário Pedrosa no Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília. O congresso, que transcorreu em torno do tema “Cidade Nova, a Síntese das Artes”, contou com a presença de grandes expoentes da crítica de arte, da arquitetura e do urbanismo como Giulio Carlo Argan, Bruno Zevi, Richard Neutra, Eero Saarinen, Jean Prouvé, André Bloc, Charlotte Perriand, Alberto Sartoris, André Chastel, Hans Jaffé, Frederick J. Kiesler, Tomás Maldonado, Romero Brest, Stamos Papadaki, entre muitos outros. (mais…)

7° Seminário Docomomo Brasil – Porto Alegre

O moderno já passado | O passado no moderno
reciclagem, requalificação, rearquitetura

Reciclagem, requalificação, rearquitetura vem se tornando problemas corriqueiros na agenda do arquiteto contemporâneo. A situação reflete o interesse cultural e econômico na conservação de testemunhos do passado, mesmo quando de um passado recente. Entre eles se contam também os exemplares da arquitetura que se firmou proclamando-se moderna em 1928, entrou em crise de identidade por volta dos 1970 e pode considerar-se agora patrimônio. O interesse abrange a edificação ordinária e a monumental, qualquer que fosse o seu compromisso original com a durabilidade.Favorece a coexistência no espaço de formas de épocas distintas, alia-se à valorização multifacetada da diversidade. Afinal, o espírito do presente não é exclusivista nem utópico. Estranha a idéia da construção sobre terra arrasada dum admirável mundo novo formalmente unificado. Parece-lhe anacrônica, culturalmente absurda e economicamente míope. (mais…)

6° Seminário Docomomo Brasil – Niterói

“Moderno e Nacional” é o tema deste nosso 6º Encontro do DOCOMOMO Brasil, cujo significado nos parece relevante e pertinente no momento em que realizamos o nosso seminário no Estado do Rio de Janeiro.

A representação brasileira do DOCOMOMO existe desde 1992 quando foi instituído o núcleo nacional pela Prof. Anna Beatriz Ayrosa Galvão dentro do Programa de Mestrado da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal da Bahia. Hoje o DOCOMOMO – Brasil é presidido pelo prof. Hugo Segawa da Universidade de São Paulo e conta com associados em todas as regiões do país. (mais…)

5° Seminário Docomomo Brasil – São Carlos

Arquitetura e Urbanismo Modernos: Projeto e Preservação

O Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Escola de Engenharia de São Carlos, da Universidade de São Paulo, e o DOCOMOMO Brasil organizaram o 5o Seminário DOCOMOMO Brasil, aberto aos estudiosos e profissionais preocupados com o reconhecimento, preservação e valorização da produção arquitetônica, urbanística e paisagística modernas brasileira. (mais…)

4° Seminário Docomomo Brasil – Viçosa

A arquitetura moderna brasileira e os processos regionais de industrialização

O Departamento de Arquitetura e Urbanismo da UFV e a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Cultural, Esporte, Lazer e Turismo da Prefeitura Municipal de Cataguases têm o prazer de convidar V. Sa. para o IV SEMINÁRIO DOCOMOMO-BRASIL a se realizar no campus da UFV e sessão de encerramento em Cataguases-MG entre os dias 30 de outubro e 03 de novembro de 2001. (mais…)

3° Seminário Docomomo Brasil – São Paulo

A Permanência do Moderno

O DOCOMOMO Brasil e o Núcleo DOCOMOMO São Paulo convidam os estudiosos e profissionais preocupados com o estudo, preservação e valorização da produção arquitetônica, urbanística e paisagística moderna brasileira, para participar do 3º Seminário DOCOMOMO Brasil, dando continuidade aos trabalhos desenvolvidos em Salvador em 1995 e 1997, nos dois primeiros seminários organizados pelo Mestrado de Arquitetura e Urbanismo da UFBa. Esta terceira edição do Seminário DOCOMOMO será realizada como um evento da 4ª BIA – Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo – sob os auspícios da Fundação Bienal de São Paulo e pelo Instituto de Arquitetos do Brasil – e organizado pelos membros do DOCOMOMO São Paulo.

2° Seminário Docomomo Brasil – Salvador

Arquitetura, Espaço Público, Projeto Social, Arte e Técnica

O 2º Seminário contou com aproximadamente 150 participantes e foi realizado entre os dias 10 a 12 de setembro de 1997 na Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal da Bahia (FAUFBA) e teve por objetivo viabilizar o “debate sobre a questão da preservação, da documentação e da avaliação crítica da arquitetura e do urbanismo modernos no país, além de reunir os membros brasileiros do DOCOMOMO e de divulgar e ampliar a sua rede de intercâmbio”(GOMES, 1998).

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1° Seminário Docomomo Brasil – Salvador

Arquitetura, Espaço Público, Projeto Social, Arte e Técnica

O 1º Seminário realizado entre os dias 12 a 14 de junho de 1995 na Faculdade de
Arquitetura da Universidade Federal da Bahia (FAUFBA), esteve vinculado à linha de pesquisa “O Pensamento Moderno na Arquitetura e no Urbanismo” do então Mestrado em Arquitetura e Urbanismo da FAUFBA, no qual havia sido criado o Núcleo DOCOMOMO_BR, em 1992.

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